Carta aberta de jogadores cobra da FIFA regras mais rígidas contra o calor antes do Mundial 2026
Jogadores de 21 países assinaram uma carta aberta pedindo à FIFA um protocolo mais forte contra o calor extremo antes do Mundial 2026. A iniciativa chega após um relatório do World Weather Attribution que alerta para "calor perigoso". A FIFA introduziu pausas fixas de hidratação de três minutos, mas seu limite para adiamento continua em 32°C, enquanto a FIFPRO considera 28°C já inseguro.
A menos de um mês do início do Mundial 2026 nos Estados Unidos, no México e no Canadá, jogadores profissionais assinaram uma carta aberta pedindo à FIFA garantias mais fortes contra o calor extremo. A carta, apoiada por atletas e ex-atletas ligados a clubes e seleções de 21 países, alerta que o estresse térmico reduz o desempenho físico e aumenta os riscos para a saúde dos jogadores, e pede uma atualização dos protocolos antes do jogo de abertura, em 11 de junho, no Estádio Azteca.
Signatários de 21 seleções
Entre os signatários há jogadores e ex-jogadores ligados a clubes e seleções da Albânia, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Gibraltar, Granada, Irlanda, Itália, Quênia, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Singapura, Espanha, Tailândia, Reino Unido e Estados Unidos. "Para nós é importante que todos os jogadores estejam protegidos do impacto do calor, da base ao alto nível. Como o alto nível que disputa o Mundial dá o exemplo para jogadores em todo o mundo, é essencial colocar em prática a melhor experiência médica disponível", escrevem os jogadores.
"Muitos de nós já sentimos o impacto do calor no nosso esporte. Pode causar tontura, vertigem, fadiga, cãibras musculares e coisas piores. Você corre menos e fica impossível jogar com a mesma intensidade que em temperaturas mais amenas."
Alerta de "calor perigoso" pelo lado da ciência climática
A carta surge após um relatório recente do World Weather Attribution (WWA) alertando para "calor perigoso" em várias sedes e que pode comprometer saúde e desempenho dos jogadores. Os signatários compartilham essa preocupação médica e apoiam o pedido de atualização do marco de estresse térmico da FIFA antes do apito inicial.
O que a FIFA já adotou
"A FIFA está comprometida em proteger a saúde e a segurança de jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários. Os riscos relacionados ao clima são avaliados como parte do planejamento geral do torneio e gerenciados em estreita coordenação com as cidades-sede, as autoridades dos estádios e as agências nacionais", disse um porta-voz da FIFA à Euronews Health.
A federação implementou pausas obrigatórias de hidratação de três minutos em cada tempo de todos os 104 jogos, no primeiro Mundial em que essas paradas valem automaticamente, independentemente da temperatura, para igualar condições. As equipes também poderão fazer até cinco substituições, mais uma adicional na prorrogação e uma substituição por concussão, com pelo menos três dias de descanso entre partidas e bancos climatizados para comissão e reservas em todos os estádios ao ar livre. O calendário foi ajustado, com horários deslocados em mercados mais quentes e jogos previstos em janelas quentes priorizados para estádios cobertos sempre que possível.
A diferença entre 28°C e 32°C
O ponto não resolvido é o limite para adiamento. Cerca de cinco jogos da fase de grupos devem ser disputados a 28°C, um patamar que o sindicato global FIFPRO considera inseguro e a partir do qual recomenda adiamento. O regulamento da FIFA, porém, só prevê a possibilidade de adiar acima de 32°C. Esses quatro graus de diferença estão no centro do pedido dos jogadores: alinhar o limite da federação com a visão médica e sindical, ou justificar publicamente por que um número mais alto deve permanecer.