RD Congo terá de isolar 21 dias antes de entrar nos EUA, seleção mantém bolha na Bélgica perante surto de Ébola
A Task Force da Casa Branca para o Mundial comunicou à RD Congo, à FIFA e ao governo de Kinshasa que a seleção tem de cumprir uma bolha de isolamento de 21 dias na Bélgica antes de entrar nos Estados Unidos, devido ao surto da estirpe Bundibugyo de Ébola que a OMS classifica como risco muito elevado de propagação nacional. A federação congolesa diz que o programa permanece, com particulares frente à Dinamarca e ao Chile, mas a viagem de despedida prevista para Kinshasa foi cancelada. Estreia no Mundial frente a Portugal, em Houston, a 17 de junho.
A RD Congo vai manter uma bolha de isolamento de 21 dias na Bélgica antes de entrar nos Estados Unidos, depois de a Task Force da Casa Branca para o Mundial ter informado a FIFA, a seleção e o governo de Kinshasa que cumprir a bolha é condição para viajar. A indicação chega após a OMS declarar emergência de saúde pública de âmbito internacional o surto da estirpe Bundibugyo de Ébola na RD Congo e no vizinho Uganda. A federação afirma que o calendário não muda. O primeiro jogo é em Houston frente a Portugal, a 17 de junho.
O que disse a Casa Branca
Andrew Giuliani, diretor executivo da Task Force da Casa Branca para o Mundial, declarou à ESPN: "Fomos muito claros com o Congo: têm de preservar a integridade da bolha durante 21 dias antes de poderem vir a Houston a 11 de junho. Fomos igualmente claros com o governo congolês: têm de manter essa bolha ou correm o risco de não poderem viajar para os Estados Unidos. Não podemos ser mais claros. Queremos garantir que nada entre ou se aproxime das nossas fronteiras." Numa declaração separada à AFP, através do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Giuliani sublinhou que a prioridade é a "segurança do povo americano, das seleções participantes e de milhões de adeptos".
A isenção da proibição de viagem
As autoridades norte-americanas indicaram esta semana que a comitiva congolesa fica isenta da proibição de entrada que veda temporariamente o acesso aos EUA a não-cidadãos que tenham estado na RD Congo, no Uganda ou no Sudão do Sul nos últimos 21 dias. "Encorajamos a equipa a proteger os jogadores de exposições desnecessárias e a manter a integridade da bolha para garantir que possam participar no torneio", disse Giuliani. O mecanismo na prática segue a janela padrão de 21 dias, aplicada a partir do estágio europeu e não do país de origem.
RD Congo: programa intacto
Um porta-voz da seleção disse à AFP que o calendário se mantém, com particular frente à Dinamarca em Liège a 3 de junho e outro frente ao Chile em Cádis seis dias depois. "Mantivemos o nosso programa de treinos. Nenhum jogador da convocatória vem da RDC", afirmou o responsável. Os 26 estão todos sediados fora do país, sobretudo na Europa, tal como o selecionador Sébastien Desabre. Alguns dirigentes chegaram esta semana ao estágio belga vindos da RDC. A viagem de três dias prevista para a próxima semana a Kinshasa, em despedida festiva, foi cancelada.
O surto
A Organização Mundial da Saúde elevou na sexta-feira a "muito elevado" o risco de a rara estirpe Bundibugyo de Ébola se transformar em surto nacional na RD Congo. Não existem vacinas nem tratamentos aprovados para esta estirpe. A OMS regista 82 casos confirmados e 7 mortes confirmadas na RD Congo, com perto de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas. O surto na RD Congo e no Uganda foi declarado emergência internacional.
Grupo K e o que se segue
A RD Congo participa no segundo Mundial da sua história, depois de 1974, quando o país se chamava Zaire. No Grupo K com Portugal, Colômbia e Uzbequistão, abre frente aos portugueses em Houston a 17 de junho. A seleção deverá manter a base belga até ao fecho da janela dos 21 dias, perto de 11 de junho, dia de abertura do torneio, antes de voar diretamente para Houston.
Fontes: AFP / The Guardian / ESPN, 23 de maio de 2026.